Descobrindo o Amazonas

O El Dorado é aqui

Apuí

O sul do Amazonas é uma região distinta do restante do estado. Com uma forte presença de imigrantes e descendentes do centro-oeste e sudeste do país, esta parte do estado se caracteriza por ter na agropecuária sua principal atividade econômica. Isso obviamente altera a paisagem natural e é bastante comum observarmos a floresta dar lugar a extensos campos verdes de pastagem.

Localizada às margens da famosa e nunca concluída rodovia Transamazônica, Apuí é a principal cidade da região. O munícipio está entre aqueles que apresentam os maiores índices de desmatamento do estado, mas hoje começa a lutar para reverter este quadro e já se tornou referência na implantação de práticas sustentáveis de manejo florestal, como a "pecuária verde".

Além disso, Apuí possui um imenso potencial ecoturístico e surpreende os visitantes com suas belíssimas cachoeiras. Algumas chegam a atingir mais de 50 metros de altura, o que por si só já coloca a cidade como uma importante “rival” de Presidente Figueiredo pelo título de Terra das Cachoeiras.

Próximas do perímetro urbano da cidade, mas ainda assim completamente cercadas pela floresta, merecem destaque a Cachoeira da Seringueira e a Cachoeira do Paredão, esta última com mais de 30 metros de altura e impressionantes 90 metros de comprimento. Para quem quiser se aventurar um pouco mais, uma trilha de motocross de 48 km leva à Cachoeira do 48, localizada no Rio Canadá, um imenso paredão rochoso de onde despenca uma poderosa cortina de água com cerca de 50 metros de altura.

Há também mais algumas pequenas cachoeiras que podem ser alcançadas por via terrestre, todas de acesso relativamente fácil. Mas se você deseja um contato realmente imersivo com a floresta amazônica, Apuí possui um local ideal: o Parque Estadual do Sucunduri.

Um santuário ecológico no sul do Amazonas

O Mosaico de Apuí é uma área com mais de 2 milhões de hectares formada por nove unidades de conservação distintas que se espalham por dois municípios amazonenses, Apuí e Manicoré. Com a criação deste grande corredor ecológico, o governo tenta estabelecer uma barreira contra o crescimento do arco do desmatamento e a expansão da fronteira agrícola no sul do Amazonas.

Dentre todas as unidades que formam o mosaico, a principal é o Parque Estadual do Sucunduri. O local é um verdadeiro santuário da fauna e flora amazônicas e esconde algumas das maiores belezas naturais do estado.

O rio Sucunduri que dá nome ao parque é a porta de entrada. Navegando por suas curvas em uma expedição que dura em média três dias é possível encontrar diversas paisagens de tirar o fôlego, mas duas merecem destaque.

A primeira é a Cachoeira do Monte Cristo, uma extensa esplanada rochosa por onde as águas do rio correm e na qual, de forma impressionante, dezenas de antas se aglomeram todos os dias para se alimentar das plantas áquaticas que nascem entre as pedras. Os animais mal percebem a presença humana, o que permite que os visitantes cheguem bem próximo a eles. A uma curta distância, é possível observar uma das mais curiosas relações simbióticas da fauna amazônica: no dorso das antas, vários exemplares de uma ave popularmente chamada de Chico Preto disputam espaço entre si, tudo para conseguir se alimentar dos parasitas que se escondem entre os pêlos dos grandes mamíferos. As antas, por sua vez, permanecem praticamente imóveis enquanto são “massageadas” pelas aves.  Em meio às rochas, vários outros pássaros também parecem querer se banhar nas águas, proporcionando um divertido espetáculo.

Mas se a Cachoeira do Monte Cristo impressiona por reunir vários exemplares da fauna amazônica em um único lugar, a Cachoeira Véu de Noiva nos deixa deslumbrados com toda a sua beleza cênica. Após percorrer alguns metros por um igarapé afluente do rio Sucunduri, nos encontramos diante da majestosa queda d’água e seus mais de 50 metros de altura. Um verdadeiro jardim do Éden cercado apenas pela floresta e pelo imponente paredão rochoso da cachoeira, a qual foi visitada pela primeira vez apenas em 2013.

O Parque Estadual do Sucunduri ainda oferece uma rota alternativa para quem quiser explorar o lado leste da unidade de conservação, navegando pelo Rio Juruena, que é a divisa natural entre os estados do Amazonas e do Mato Grosso. De águas levemente esverdeadas, o rio oferece corredeiras e praias de areia branca, todas inteiramente desertas.

Infelizmente, apesar de todo este potencial para o ecoturismo, a precária infra-estrutura logística do estado dificulta bastante o acesso para quem deseja conhecer Apuí. Por incrível que pareça, é mais fácil chegar no município a partir de Porto Velho, em Rondônia, do que a partir de Manaus. Caso a polêmica estrada BR-319 estivesse pavimentada, Manaus teria não apenas uma ligação terrestre com o restante do país, mas também uma rota direta para as belezas naturais ainda desconhecidas do sul do Amazonas. 

Resumindo...

Distância de Manaus: 453 km, em linha reta.

Como chegar (duração / custo de ida):

  • Avião (1:30h / 500 reais)
  • Lancha rápida até Novo Aripuanã (10 horas / 150 reais) e caminhonete até Apuí (12 horas / 80 reais)

Não deixe de ver/fazer:

- A maior parte das cachoeiras ficam relativamente próximas ao perímetro urbano da cidade e são de fácil acesso. Para chegar na Cachoeira do 48, porém, é preciso encarar uma trilha de motocross de 48 km.

- O Parque Estadual do Sucunduri se encontra bem mais afastado da sede do município e, para visitá-lo, é necessário uma expedição de pelo menos três dias, entre ida e volta. 

- Infelizmente, Apuí não conta com nenhum centro de atendimento ao turista ou sequer com algum serviço formal de guias turísticos. Para chegar até as cachoeiras é preciso pedir informações da população local e, na maioria das vezes, contratar mototaxistas. Já para visitar o Parque Estadual do Sucunduri é necessário entrar em contato com o Centro Estadual de Unidades de Conservação - CEUC. 

- Apuí também não é servida por vôos regulares de nenhuma companhia área. Para chegar na cidade de avião é necessário contratar um táxi aéreo, cujo trecho nunca custa menos de 500 reais por pessoa.

- A melhor alternativa para chegar em Apuí a partir de Manaus é através de uma lancha rápida ou barco regional até Novo Aripuanã e, de lá, embarcar numa caminhonete fretada que uma vez por semana faz a viagem até Apuí.

- Caso seu ponto de partida seja Porto Velho, em Rondônia, há ônibus que regularmente viajam até Apuí. 

- O site Viagens & Negócios oferece uma ótima ferramenta de busca que mostra os horários e contatos dos barcos e lanchas que fazem viagens intermunicipais pelo Amazonas.  

Para ver fotos de Apuí, clique aqui.

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